O substrato cárstico de Sete Lagoas impõe um regime de fluxo subterrâneo que escapa aos modelos convencionais. As dolinas, cavernas e condutos que pontuam a paisagem dos bairros como o Jardim Europa e o Santa Luzia não são apenas feições geomorfológicas — são caminhos preferenciais de percolação. Por isso, o ensaio de permeabilidade in situ (Lefranc/Lugeon) não é uma etapa complementar. É a base para qualquer dimensionamento de rebaixamento de lençol ou injeção de calda de cimento. Em zonas com alta densidade de sumidouros, a variabilidade espacial da condutividade hidráulica pode exceder três ordens de magnitude em menos de 50 metros. Quando o projeto exige parâmetros de resistência ao cisalhamento para fundações superficiais, o ensaio de placa de carga complementa a investigação hidrogeológica com dados de deformabilidade do maciço.
Em aquífero cárstico, um valor de Lugeon isolado não representa o maciço. É a variabilidade espacial que dita o risco hidrogeológico em Sete Lagoas.
Detalhes técnicos do serviço em Sete Lagoas

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Desafios técnicos típicos em Sete Lagoas
A ABNT NBR 16282:2014 estabelece os procedimentos para determinação da permeabilidade em solos, mas a norma pressupõe homogeneidade relativa do meio. Em Sete Lagoas, o colapso de tetos cársticos e a presença de paleocavernas preenchidas por material inconsolidado criam heterogeneidades que a norma não consegue prever. O risco hidrogeológico aqui não é linear. Um furo com absorção nula a 15 metros pode estar a 3 metros de um conduto com perda total de circulação. Ignorar essa realidade resulta em subdimensionamento de sistemas de rebaixamento, falhas em cortinas de injeção e até subsidência acelerada por lavagem de finos. A caracterização adequada exige densidade de investigação superior à usual, com ensaios escalonados em profundidade e correlação com imageamento acústico de parede quando a rocha é competente.
Nossos serviços
O programa de investigação da permeabilidade em Sete Lagoas integra três frentes complementares de serviço:
Ensaio Lefranc em solo
Executado em furos de sondagem com revestimento, medindo a vazão infiltrada sob carga hidráulica controlada. Ideal para solos residuais, coluvionares e aterros até 30 m.
Ensaio Lugeon em rocha
Aplicado em testemunhos de sondagem rotativa no calcário Bambuí. Cinco estágios de pressão por trecho. Detecta fraturas abertas, fluxo turbulento e lavagem de preenchimento.
Perfil hidrogeológico integrado
Consolidação dos dados de permeabilidade com perfil litológico, RQD e fraturamento. Gera o modelo conceitual de fluxo necessário ao projeto de drenagem ou injeção.
Dúvidas habituais
Qual a diferença prática entre o ensaio Lefranc e o Lugeon?
O Lefranc mede a permeabilidade em solos e horizontes saprolíticos usando carga constante ou variável em furo revestido. O Lugeon aplica-se à rocha fraturada, com injeção de água sob pressão em trechos isolados por obturador. Em Sete Lagoas, usamos Lefranc nos primeiros 20 a 30 metros e Lugeon a partir do topo rochoso, quando a sondagem rotativa encontra calcário do Grupo Bambuí.
Quanto custa um ensaio de permeabilidade Lefranc ou Lugeon em Sete Lagoas?
O investimento para um ensaio Lefranc em solo varia entre R$1.700 e R$2.410 por trecho ensaiado, incluindo mobilização da equipe e equipamento. O ensaio Lugeon em rocha tem custo superior devido ao obturador pneumático e à bomba de alta pressão. O valor final depende do número de trechos, profundidade e acesso ao furo.
Em que tipo de obra o ensaio de permeabilidade é obrigatório em Sete Lagoas?
É exigido para projetos de rebaixamento de lençol freático, barragens de terra, cortinas de injeção em fundações de barragens, aterros sanitários e obras subterrâneas. Dada a natureza cárstica da região, recomenda-se o ensaio mesmo em obras de médio porte com escavações abaixo do NA, para evitar surpresas com condutos não mapeados.
Quantos ensaios são necessários para caracterizar um terreno?
Em geologia cárstica como a de Sete Lagoas, a densidade de investigação deve ser maior que a usual. Recomenda-se no mínimo um ensaio a cada 200 m² em planta, com ensaios escalonados a cada 3 a 5 metros de profundidade. A quantidade exata depende da variabilidade observada nos primeiros furos e do nível de risco aceitável para a obra.